domingo, 31 de agosto de 2014

Último domingo de agosto.


Hoje é domingo. É bom porque amanhã eu não vou trabalhar, mas eu queria porque preciso pagar minhas contas. Hoje eu li coisas que eu não queria e parei para refletir um pouco. Assisti a um programa de televisão e li os textos da Tati Bernardi que me entende tão bem. Li um site de receitas e pensei que alguém poderia desfrutar demasiadamente do meu jantar. E da minha sobremesa que seria pudim de leite ninho. Eu cozinho de uma forma estranha mas no final fica bom. Eu juro. Estou meio depressiva. Meio carente e meio auto suficiente. Tinha planos para o final de semana, mas não tenho mais. Pensei em amores antigos, pensei no loiro de olhos claros, no moreno alto e na viagem do fim de abril. Na cachoeira e no jantar de sábado à noite. Sabe, eu sempre me apaixono pelas pessoas mais aleatórias possíveis. Pelo professor de ensino religioso, pelo cara que mora na América do Norte, pelo carinha da balada e pelo cara que parece ser psicopata. Pessoas inteligentes me assustam e me fascinam. Eu sempre me perco no meu medo de estar existindo na vida daquela pessoa. Sabe, sinto saudades de alguém que eu ainda não encontrei. Saudades dele acordando na madrugada de um frio de agosto, com um moletom velho, cinza de listras roxas. Saudades de um chocolate quente no fim da tarde, deitada no ombro do alguém pra ver o sol se por. Quem sabe na pedra do arpoador. Eu olho pras estrelas e choro. Elas são lindas, inteligentes e rodeadas de coisas brilhantes que se assemelham a elas. Preciso me encontrar, mas está difícil. Me perdi nas linhas da minha mente. Que pensa tão só e vazia, que sobe os degraus da escada de uma forma tão cansada. Preciso viajar. Eu sempre preciso viajar. Eu gosto porque eu deixo no aeroporto todo o peso de duzentos anos, para trás. Eu amo o papelzinho do check in porque é como se eu fosse uma cheerleader e tivesse recebido uma cartinha com bombons do capitão do time de basquete. Eu chego na cidade da conexão contente. Eu fumo metade de um cigarro e tomo um café gelado diferente. Eu adoro aeroportos. As pessoas estão lá sempre pra fazer algo de diferente, ou pra voltar de algo diferente. Minha mente se dispersa entre as nuvens e quando ela aterriza, está pronta para viver novas aventuras. Ainda tenho muitas coisas para desfrutar. Quero tomar uma sopa quente em Istambul, ver os aviões pousando no aeroporto de Saint Martin no Caribe, quero rolar na areia de Miami beach e parler francês com alguém. Que texto aleatório, mas bem, é o que eu tinha pra hoje.

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