quarta-feira, 5 de abril de 2023

soledad pt. 2

Você me tinha aqui, bem na palma da sua mão. Preferiu outros corpos, outros olhares, outras bocas. Ontem você me mandou uma foto sua e me deu um frio na barriga, vontade de estar com você. Hoje te dei bom dia, como dou bom dia pro sol, porque era assim que eu te via. E assim como você me tinha na palma da sua mão, me deixou ir embora deslizando devagar entre seus dedos. Queria saber sobre você, sobre a gente. Eu afirmei e reafirmei tantas vezes o quanto te achava foda. Achei que estava empolgado com toda a nossa conversa, mas me deu mesmo foi um banho de água fria dizendo o quão você queria estar bem consigo mesmo para atrair as outras pessoas. Meu peito doeu, a ansiedade veio, a visão ficou turva. Essa tua fala parecia inocente, mas machucou meu coração. Hoje eu me retiro. Pego meus cacos e saio caminhando pela porta dos fundos. Na ponta dos pés e sem bater a porta. Sou barulho por dentro, mas por fora não quero que ninguém se preocupe, porque vou ficar bem. Sempre fico bem. Hoje eu me retiro porque te ofereci tanto. Te ofereci compreensão, carinho, autoestima. Quis sempre saber como você estava, e te colocava para cima sempre que podia. Queria que você se visse com os meus olhos. Hoje eu me retiro porque esgotaram todas as minhas tentativas. Tentei ser flor, mas tu não quis me florescer. Sempre sou eu que mando a última mensagem, mas hoje preferi não te responder e apenas me recolher. Junto cada pedacinho meu, cada verso que escrevi lembrando de você, cada música que me fazia lembrar a história que poderíamos contar e que eu cantava de olhos fechados imaginando o dia que eu ia te ter bem aqui. Pego as minhas malas com tudo o que quis te oferecer e retorno para a realidade. Já não me tens mais na palma da sua mão, porque quis ser fato e tu me fez hipótese. Aceito suas desculpas, mas me retiro daqui.

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